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empreendedor como burro de carga.
Política e Economia

Por que o estado castiga o empreendedorismo?

Mais uma vez, é o empreendedor quem vai pagar a conta, diz Wagner Hertzog.

A resposta para essa pergunta é bem óbvia, e infelizmente suas consequências acabam gerando um enorme retrocesso econômico, que contribui para a paralisação do mercado, e por conseguinte, do desenvolvimento da nação, como um todo.

O estado, infelizmente, pensa apenas em si próprio e nos seus próprios interesses, e na manutenção rotineira do seu próprio sustento. Para tanto, o estado vai fazer aquilo que estiver ao seu alcance para atingir os seus objetivos. Obviamente, o que vai acontecer é o que nós, empreendedores, conhecemos muito bem: o estado vai tributar, tributar, tributar e tributar.

Para possibilitar o desenvolvimento de um país, a matemática a ser feita é muito simples: quanto menos o governo tributar as empresas, mais dinheiro elas terão em caixa. Com dinheiro em caixa, as empresas poderão pagar muito bem os seus funcionários. Funcionários bem pagos poderão, por sua vez, consumir mais, e dessa maneira usufruir de um padrão e de uma qualidade de vida de nível altamente satisfatório. Quanto mais dinheiro as empresas tiverem em caixa, mais investimentos poderão fazer. Quanto mais investimentos as empresas puderem fazer, mais contribuirão para a circulação de riquezas. Com riquezas circulando livremente, teremos abundância e prosperidade. Com abundância e prosperidade, ao final do dia, temos muito trabalho, pouco desemprego, e todos ficam felizes. Sim, esse é um raciocínio frequente, em países de primeiro mundo, que servem de base para a engrenagem funcional que proporciona o progresso de uma sociedade. O que não é o nosso caso, evidentemente.

Infelizmente, a burrice e a ganância do estado brasileiro são tão grandes que nem mesmo esta simples matemática eles têm capacidade de efetuar.

Infelizmente, a burrice e a ganância do estado brasileiro são tão grandes que nem mesmo esta simples matemática eles têm capacidade de efetuar. Sim, caro, empreendedor. O funcionalismo público no Brasil não serve para absolutamente nada. Se você sonega impostos para sobreviver, e manter a sua empresa ativa, você é um criminoso. Mas, de acordo com a lógica do estado, tudo bem sacrificar você, para que pague impostos exorbitantes, de maneira a manter um parlamentar ganhando a absurda quantia de R$ 30.000,00 por mês. E não vamos nem falar na enorme, vultuosa e dispendiosa quantidade de benefícios que o mesmo ganha, e que fazem um político de carreira custar aproximadamente R$ 85.000,00 por mês ao contribuinte. No final das contas, temos que trabalhar muito para sustentar aqueles que não trabalham.

Verdade seja dita: o estado vive única e exclusivamente para si próprio. Neste processo, sua antropofágica, egocêntrica e perniciosa sobrevivência estará sempre no topo da cadeia alimentar, e essa será sua prioridade, de forma definitiva e permanente. Em sua dilacerante e criminosa autofagia malévola, engolir todos os recursos financeiros da iniciativa privada é apenas um pequeno detalhe. O estado realmente não está se importando nem um pouco com suas dificuldades, ou com o sucesso do seu negócio. A indiferença será sempre o elemento preponderante nos órgãos públicos. E convenhamos: em um país onde os impostos crescem mais do que a economia, a total alienação da classe governamental gera problemas cujas consequências é o empreendedor que têm que enfrentar. Você deve trabalhar para se sustentar e sustentar o seu negócio, e isso não é pouca coisa. Não obstante, o estado ainda irá obrigá-lo a trabalhar para sustentar o aparelho estatal, bem como a todas as suas despesas. Em sua total apatia e descomunal indiferença, eles realmente não se importam nem um pouco com o fato de que manter seus exorbitantes luxos extravagantes está se tornando um fardo cada vez mais excruciante para nós. Não gostou? Bom, você pode reclamar! Ligue para o 0800nãoestamosnemaí, ouça uma voz eletrônica e fique um ano esperando na linha.

Essa é uma constatação tão óbvia quanto deplorável. A parte realmente triste é que o Brasil teria um enorme potencial para se desenvolver em todas as áreas, com um positivo impacto direto em seu crescimento econômico. O que, por sua vez, fomentaria ainda mais crescimento, gerando um exponencial e produtivo movimento de reação em cadeia no mercado, que resultaria em desenvolvimento, progresso, capacitação, inovação e evolução. Não obstante, ter uma classe política retrógrada, egocêntrica, pérfida e frívola torna completamente inviáveis todas e quaisquer possibilidades de progresso neste país.

Infelizmente, não existe uma solução a curto prazo. Não bastaria apenas trocar todos os políticos e servidores públicos que existem no país – mas já seria alguma coisa –, mas a forma de gerir a máquina pública em si deveria ser completamente reformulada, reelaborada e reestruturada, e para funcionar corretamente deveria ser administrada como se fosse uma empresa (mas no Brasil nunca foi; sabemos que o governo gasta muito mais do que arrecada). Em um sistema que não vê problema algum em colocar todo o seu peso, todos os seus gastos e todos os seus custos sobre a camada produtiva da sociedade, acabamos todos na condição de escravos. Cinco meses por ano, trabalhamos apenas para pagar impostos. Isso é ponto pacífico! Ninguém discute. Governos sonolentos, apáticos, indiferentes e ineficientes, infelizmente, são uma constante na história desse país. E quando falo em governos, falo em todos eles: municipais, estaduais e federais. E no final, é a sociedade trabalhando para pagar a conta. E o empreendedor sofrendo na labuta sacrificial do trabalho árduo, da escassez e do sofrimento, passando noites em claro, trabalhando dezesseis horas por dia, pagando contas, falindo, fechando o seu negócio. Alguns chegam, literalmente, no limiar de suas forças, na beira do abismo. E em não raras ocasiões terminam na mais inglória das condições, cometendo suicídio. Mais especificamente, quando empreendedores completamente endividados, apertados e pressionados de todos os lados, não conseguem vislumbrar uma saída para os seus problemas financeiros. Para citar apenas um caso, lembro aqui o de Luís Antônio Scussolino, proprietário de uma fábrica de sofás em Rio Claro, São Paulo, que ocorreu em junho deste ano, e gerou enorme repercussão na mídia. Sua empresa havia demitido duzentos e vinte três funcionários por conta da crise. Dificuldades financeiras, com órgãos públicos, e especialmente com o sindicato, que havia recusado uma proposta de acordo, levaram Scussolino a acabar com a própria vida. O empresário foi encontrado morto por um funcionário, na manhã de terça-feira, dia 21 de junho, com uma corda no pescoço. Sim, corrupção mata. Indiretamente, mas mata. E com mais frequência do que a mídia tem coragem de expor.

E não vamos nem falar na miscelânea de impostos: tributos federais, estaduais e municipais, recolhidos única e exclusivamente para aliviar os problemas financeiros dos órgãos públicos. Nunca haverá a menor possibilidade de progresso, enquanto o governo não respeitar a iniciativa privada, e continuar a tratá-la como se fosse um infinito manancial de recursos financeiros, sua eterna escrava e serviçal, da qual ela pode servir-se quando quiser, como quiser, da maneira como bem entender, cobrando a quantia que melhor lhe aprouver. E, convenhamos: um governo que tributa o faturamento das empresas, ao invés do lucro, deixa muito evidente o seu caráter furtivo, egoísta e dissimulado. Ele está, definitivamente, viabilizando, projetando e buscando unicamente os seus próprios interesses.

Ou seja, o estado castiga o empreendedorismo porque é completamente indiferente a ele, e por extensão, é completamente indiferente ao progresso e ao desenvolvimento do país. Em sua descomunal voracidade e gananciosa perfídia, o governo quer para si recursos financeiros ilimitados, que lhe permitam viver no luxo e na extravagância, e ele irá fazer tudo o que estiver ao seu alcance para não baixar os seus padrões. O governo irá, sim, sacrificar quem ele tiver que sacrificar para manter fluindo o enorme, vasto e incomensurável manancial financeiro do qual se acostumou a usufruir.

E onde fica o empreendedor nessa história? Sou totalmente a favor da sonegação de impostos, quando está em jogo a sobrevivência da empresa. Manter uma empresa e todos que dependem dela é imperativo, e deve sempre estar à frente de qualquer imposição ou prioridade governamental. No ano passado, no auge da recessão, milhares de empreendedores brasileiros decidiram não pagar os impostos, em função da crise financeira, e do pouco dinheiro em caixa. Empreendedor: não se sacrifique pelo governo, nunca, jamais, sob qualquer hipótese ou circunstância! O governo jamais irá fazer sacrifícios por você! Se porventura funcionários públicos chegarem a cobrá-lo (jamais irão, eles nunca levantam de suas cadeiras), você pode sugerir que, primeiramente, eles se empenhem em reaver os 370 milhões de reais que a Delta Construções – empresa do empreiteiro Fernando Cavendish – desviou dos cofres públicos, em um esquema que envolvia o notório bicheiro Carlinhos Cachoeira, esquema este desmantelado pela Polícia Federal, em uma investigação realizada em parceria com o Ministério Público, chamada de Operação Saqueador. Esta, tenho certeza, é uma quantia bem superior a qualquer valor que, por acaso, você possa vir a sonegar. Isso evidencia mais um dos inúmeros comportamentos trágicos e perniciosos que fazem parte do sistema: intimidar os pequenos, ao invés de cobrar dos grandes.

Ser empreendedor no Brasil é isto: empreender uma luta árdua diariamente, onde todas as chances e possibilidades invariavelmente se colocarão contra você. É favorecer pessoas, dar oportunidades e empregos, e ser taxado de capitalista (como se isso fosse uma ofensa; ofensa imperdoável seria ser chamado de comunista). É lutar pelo crescimento, e ser taxado de oportunista. É lutar contra tudo e contra todos, sendo uma engrenagem e uma alavanca funcional da economia, e ser taxado de parcial e partidário. Ou seja, ser empreendedor no Brasil exige, sim, disposição, coragem, audácia, ousadia, e um elevado grau de insanidade. E, acima de tudo, é compreender que o governo será sempre o seu maior inimigo, em todos os momentos, em todas etapas, em todos os processos, em todas as ocasiões. Definitivamente, não é um desafio para qualquer um.

Evidentemente, é elogiável quando um empreendedor quer ser honesto e correto, e pagar todas as suas despesas em dia, inclusive os impostos. Infelizmente, não sendo nem um pouco honesto ou decente, o governo brasileiro tende a se aproveitar dessa ingenuidade, e, invariavelmente, passa a tributar o empreendedor com valores que irão muito além do que ele pode pagar. Especialmente neste período de recessão, no qual o governo aumentará os impostos – e criará tantos outros – para solucionar seus problemas financeiros. Mais uma vez, é o empreendedor que vai pagar a conta.

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