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Política e Economia

É possível prosperar em meio a tanto retrocesso?

O governo prospera através da extorsão institucionalizada que pratica contra a iniciativa privada. E nós, como fazemos?

Você há de concordar que ser “otimista”, no Brasil atual, está cada vez mais difícil. A recessão atingiu o empreendedor em cheio, mas, ao que tudo indica, o governo parece ignorar isso, até porque, para o estado, é conveniente fingir que absolutamente nada está acontecendo, e que tudo continua maravilhoso e resplandecente debaixo do sol. Quando a questão são problemas, tudo o que o governo sabe fazer é ignorá-los. Mas quem vive no mundo real percebe uma situação muito diferente no Brasil do desemprego, da recessão e do desespero. Na contramão dos cortes, das demissões em massa e da monumental baixa de empresas que acontece diariamente por todo o território nacional, o governo parece fazer apenas uma coisa: gastar, gastar, gastar e gastar. Mas apenas com o seu próprio bem estar.

As notícias que chegam relacionadas às atitudes do governo sempre são as mais estarrecedoras possíveis. Na verdade, são tão apalermadas, que, quanto mais absurdas, mórbidas e grotescas, mais fáceis de acreditar. Para o governo, parece não haver crise. O governo federal, os governos estaduais e os governos municipais, parecem habitar um Brasil muito diferente do nosso. No Rio de Janeiro, um estado que encontra-se falido, quebrado e completamente desmantelado, com delegacias da polícia civil dependendo de doações e auxílios de voluntários para permanecerem ativas, um vereador chamado João Cabral elaborou um projeto de lei com o objetivo de conceder salários vitalícios de quinze mil reais para vereadores do estado, que tenham exercido três mandatos consecutivos, ou quatro intercalados. Ou seja, estão querendo encontrar uma maneira de viver muito bem as suas vidas às custas do contribuinte, sem ter que trabalhar. Querem recursos financeiros em definitivo para esta categoria de servidores públicos, mesmo quando estes tornarem-se inativos. A matéria foi publicada no G1dia 1º de novembro. Em virtude do atual holocausto financeiro que compromete o estado, é de não acreditar que gestores públicos sejam tão egocêntricos a ponto de pensarem em algo tão ostensivamente bizarro.

Mas os absurdos não param. Recentemente, foi aprovado um aumento para a classe de juízes, magistrados e servidores do STF, como se os trinta e três mil reais que eles ganham por mês fosse pouco. A partir do mês de janeiro do próximo ano, a categoria passará a ganhar um salário de trinta e nove mil reais. E Ricardo Lewandowski, ministro do STF, de acordo com artigo publicado no Huffington Post Brasil, orgulhosamente exaltou-se ao dizer que os juízes devem exigir aumento, sim, como todos os demais servidores públicos, afinal, eles também tem os seus “vencimentos corroídos pela inflação”. Me pergunto se algum dia eles terão capacidade de enxergar além de suas periféricas visões de mundo terrivelmente diminutas e míopes, para algum dia tentar compreender as coisas da perspectiva do brasileiro comum, que precisa trabalhar um ano inteiro – senão muito mais – para receber o que eles ganham em um mês.

Não obstante, essa não é nem a ponta do iceberg, quando o tema tratado são supersalários. Recentemente, começou a circular na web uma lista retirada do site do Tribunal Regional Federal da 4ª Região da Justiça Federal, que continha os nomes e os salários de vinte e oito desembargadores federais. Destes, 20 tem salários superiores a cem mil reais – com alguns quase chegando a duzentos – e dois deles tem, de fato, salários superiores a duzentos mil reais. Detalhe: a lista citava apenas magistrados inativos.

Recentemente, o senador baiano, radicado no Espírito Santo, Magno Malta, fez um discurso no congresso defendendo a pauta da redução salarial. De acordo com o seu pensamento, eles, os políticos brasileiros, devem sacrificar-se junto com a população, portanto, devem aceitar reduzirem os seus salários pela metade, e resignarem-se a ganhar quinze mil reais por mês. O que mais me surpreendeu foi ele ter usado a palavra “sacrifício” em seu discurso. Não, senhor Magno Malta, me desculpe! Sacrifício de verdade – algo que os políticos brasileiros jamais terão capacidade de fazer, em qualquer período de suas vidas, pois são ociosos glutões preguiçosos e folgazões – seria cortar todos os privilégios financeiros e materiais, em definitivo, e aceitar um salário de brasileiro comum: dois mil reais por mês. Isso sim se qualificaria como um honrado, honesto, justo e verdadeiro sacrifício. Uma utopia, pois esta espécie de indivíduos não possui o nível de decência, hombridade e dignidade necessárias para realizar um ato tão altruísta. Todos os brasileiros inteligentes sabem que os indivíduos que ingressam na política o fazem com a única e exclusiva intenção de passar bem, e não para servir aos interesses da população. Esse tipo de discurso para parecer herói que assume as dores do povo não me engana. Não obstante, o senador Magno Malta merece, ao menos de forma parcial, uma menção honrosa, por ter sido um dos pouquíssimos políticos que trouxe esta questão à tona. Mas enfatizo: ganhar um salário de quinze mil reais não é fazer sacrifício nenhum. Mesmo para quem acostumou-se com um escabroso e imerecido salário de trinta mil reais.

Um artigo publicado no site da Veja no mês de maio, intitulado “Brasil tem ‘pior governo do mundo’, segundo relatório de competitividade”, também traz informações igualmente esclarecedoras. O artigo revela informações compiladas em um relatório do Centro Mundial da Competitividade, que mostra diversos fatores que expõem porque, em 2016, o Brasil, dos 61 países pesquisados, ficou com a pior posição. Um trecho do artigo dizia exatamente isso:

“O Brasil está na lanterna em transparência, burocracia, corrupção, em barreiras à entrada de capitais, à criação de empresas, pelo número de dias para criar uma empresa. É um desastre institucional”. Desastre institucional. Não creio haver descrição mais apropriada para declarar o atual estado de coisas em nosso país. O genocídio da iniciativa privada no Brasil, que vem sendo calcinada, destruída, pulverizada e humilhada por uma governo parasitário, deficiente, letárgico e corrosivo se consolidou em uma realidade cruel, hostil e ignominiosa, que está enfraquecendo as relações profissionais de nosso país a cada dia, deixando empresas na penúria, empresários falidos e trabalhadores cada vez mais desolados e miseráveis, sem emprego, sem sustento e sem ter a quem recorrer.

Recentemente, li no site da Época duas matérias igualmente estarrecedoras, concernentes a despesas governamentais. Uma delas informava que o senado vai gastar seiscentos e oitenta mil reais em duzentos e vinte aparelhos de televisão de cinquenta e cinco e quarenta e duas polegadas, para os nossos digníssimos mandatários. A outra matéria apontava para um gasto aproximado de duzentos e sessenta e três mil reais com serviços de buffet, de uma empresa que será contratada para servir finas iguarias em eventos oficiais do governo. Enquanto o povo passa fome, nossos prestativos políticos são muito bem tratados com as mais ricas variedades da culinária nacional e estrangeira.

Enquanto isso, aqui no Rio Grande do Sul, professores não vão até a escola dar aulas, porque não têm nem sequer dinheiro para pagar a passagem de ônibus. O país, aos poucos, mergulha em um colapso cada vez mais profundo, os serviços públicos vão ficando cada vez mais precários e paralíticos, estados declaram-se literalmente falidos, mas o governo, ao que parece, é completamente indiferente a tudo isso. Para o governo, o importante é gastar única e exclusivamente consigo próprio.

E de onde vem todo esse dinheiro, que vai para o governo, gastar única e exclusivamente consigo? Da iniciativa privada, evidentemente. O cavalo de força que sustenta este país.  De onde mais? Acredito em trabalho, resultados, vigor e esforço. No setor privado, isso tem de sobra. No entanto, nunca vi nada disso no funcionalismo público. No Brasil, a iniciativa privada trabalha, o funcionalismo público gasta – com ele mesmo, apenas – e o país vai se deteriorando em um sorrateiro, vil e desgastante colapso, onde nada funciona, e as carências apenas se intensificam. Os políticos vão ficando cada vez mais saciados, e a população, cada vez mais faminta.

E o setor privado, pagando a conta, enquanto a classe política se diverte com robustos aumentos, salários magnânimos e exacerbados privilégios, corroendo e desgastando o setor privado para a manutenção do seu luxo, conforto e bem-estar. Conforme os políticos brasileiros vão passando cada vez melhor, o declínio do setor privado intensifica-se cada vez mais. Então fica a pergunta: quem salvará a iniciativa privada da dilaceração?

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