Jornal do Empreendedor

Amit Garg da NVP fala dos 10 erros mais comuns do empreendedor no #PREI reproduzido aqui no Jornal do Empreendedor.

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A primeira apresentação do PREI começou com Amit Garg, da NVP, contando um pouco de sua experiência no Vale do Silício.

Sendo um dos responsáveis pela incursão do Orkut aqui no Brasil, Amit fez uma boa retrospectiva de como o Valley se tornou essa grande referência tecnológica e polo do empreendedorismo mundial. Segundo ele, o processo foi longo e levou cerca de cem anos.

Amit conta que as universidades tiveram um papel fundamental na cultura local. “A universidade de Stanford foi criada lá em uma época onde a região era praticamente rural, cheia de fazendas”, conta. Dali em diante, conforme a região se desenvolvia, houve uma constante renovação na educação. Aliás, foram os professores quem começaram a investir poucos dólares nos projetos de alunos. “Foi assim que surgiram os primeiros investidores anjo”, explica. Atualmente, a região conta com mais de 80 universidades na região.

Na opinião do investidor, o Brasil tem uma oportunidade única de ter o seu próprio Vale do Silício. “Muito se fala que ainda não temos estrutura ou mesmo um ecossistema empreendedor. Ou seja, podemos criar algo único, inovador e do nosso jeito”, sugere. E frisa: “nada disso vai ser de um ano para o outro. Demora, mas também não há a necessidade de levar tanto tempo como o Vale do Silício”.

Para fechar, Amit conta que é fundamental os empreendedores compreenderem alguns conceitos básicos para que seus negócios emplaquem. “O apoio que uma pessoa dá a outra, ter capital disponível e entender que o fracasso faz parte de um ciclo é fundamental para criar uma cultura forte como no Silício”, conclui.

“Entender que o fracasso faz parte de um ciclo é fundamental para criar uma cultura forte como no Silício” – Amit Garg

Em seguida foi a vez de Marcelo Nakagawa, consultor de empreendedorismo e inovação, subir ao palco e contar os 10 erros mais comuns dos donos de startups. “O brasileiro tem um jeito estranho de fazer negócio“, disse. Para ele, os empreendedores brasileiros presisam enxergar além do seu mercado e das possibilidades que outras empresas do ramo já exploram.

Erro nº 1: Negócios tradicionais e web são a mesma coisa

Marcelo destacou a importância da web para o sucesso e a sobrevivência de qualquer negócio daqui para frente. “A primeira coisa é pensar se você vai ser uma empresa ‘Rubinho Barrichello’, chegar sempre em segundo”, provocou. E, nesse processo não dá para abrir mão da inovação: “Ou você cria uma inflexão ou você morre, ou vc compete com que está fora ou o pessoal de fora vai competir com você aqui dentro”.

Erro nº 2: Empreendedores não diferenciam startup de negócio

Outro erro comum dos donos de startup brasileiros é manter as mesmas estratégias mesmo depois que a empresa cresceu e alcançou novos públicos. Um sinal disso é o cartão de visitas do empreendedor, que permanece o mesmo por quase toda  a história da companhia.

Erro nº 3: Valor excessivo ao plano de negócio

Para Marcelo, muito empreendedor erra ao buscar fórmulas mágicas nos planos de negócios, acreditando que isso vai resolver todos os problemas da startup. “Você pega livro com receitas infalíveis de plano de negócio. Isso não existe”, afirmou.

Erro nº 4:  Não sabem escrever o plano de negócio

Mesmo aqueles que mais valorizam o plano de negócio têm problemas na hora de elaborar o texto, fazendo afirmações genéricas, que serviriam para qualquer empresa e não dizem muito sobre a startup. “Para cada negócio você tem que escrever um plano diferente”, explicou Marcelo.

Erro nº 5:  Não sabem qual é o seu negócio

De nada adianta montar um bom plano de negócios se você não sabe exatamente o que vai oferecer aos consumidores, e isso tem muito mais a ver com valores do que com o produto em si. Para explicar isso, Marcelo usou o exemplo da CacauShow, que “não vende chocolate, vende presentes”. “Se você ainda acha que a CacauShow vende chocolates, nunca vai sair do segundo lugar”, avisou.

Erro nº 6:  Não sabem ganhar escala

Existem várias formas de fazer uma empresa crescer, mas Marcelo aposta em algo que o Google tem feito: “transformar seu negócio em uma plataforma para novos empreendedores”. Assim, sua empresa passa de um ambiente de trabalho para um ambiente de inovação.

Erro nº 7: Não sabem captar recursos

Marcelo acredita que, se o Brasil possui mercados taõ pequenos, é porque seus empreendedores precisam enxergar além de seus negócios. E isso passa pela motivação em oferecer determinado produto ou serviço. Se o dono da startup “não tem brilho nos olhos para aquilo que ele está fazendo”, fica difícil ver novas possibilidades para a empresa.

Erronº 8: Não sabem vender

“Como chamar atenção, como criar interesse, lealdade e, principalmente, como criar o cliente apóstolo, que vai vender o produto para você”, disse Marcelo. Essas questões devem estar na cabeça do empreendedor todos os dias para que ele não perca o foco no trabalho.

Erro nº 9: Divisão de tarefas

Para Marcelo, as empresas de sucesso tem algo em comum: alguém vende e alguém faz. Ele explicou que, quando uma pessoa acumula duas atividades tão complexas, o produto perde a qualidade. Por isso é preciso dividir atribuições e se aliar a profissionais competentes para que tudo funcione direito.

Erro nº 10: Não têm referências

O último erro apontado por Marcelo diz respeito à falta de modelos dos empreendedores brasileiros, que precisam entender a importância de se inspirar em cases de sucesso. Como exemplo, ele citou a biografia de Steve Jobs, na qual ele fala sabre diversos criadores que motivaram seu trabalho na Apple.

Para terminar, Marcelo lembrou de uma frase de um amigo que diz muito sobre o espírito empreendedor:

“Só há um tipo de empreendedor que fracassa: aquele que não consegue aprender com os próprios erros”

Republicação de artigo da ResultOn.


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